Novo modelo de notas fiscais da Shopee enfrenta problemas com vendedores estrangeiros

O novo modelo fiscal das Comissões Extras da Shopee ganhou mais um problema para os afiliados que trabalham como pessoa jurídica. Depois da mudança que passou a exigir notas fiscais separadas para os vendedores responsáveis pelo pagamento das comissões adicionais, muitos profissionais estão encontrando dificuldades para emitir os documentos quando o vendedor está localizado no exterior.

novo modelo das notas fiscais de comissão extra da shopee tem problema com vendedores estrangeiros

A situação vem sendo relatada por afiliados e também já aparece como uma necessidade de adaptação nos sistemas criados para automatizar a emissão das notas. O problema está principalmente na identificação e no cadastro de empresas estrangeiras, que não possuem um CNPJ brasileiro como os vendedores nacionais.

Para quem possui poucos vendedores nessa situação, o problema pode ser administrável. Mas existem afiliados com dezenas ou até mais de 100 vendedores estrangeiros no relatório mensal, transformando uma obrigação que já era trabalhosa em uma operação ainda mais complicada.

O novo modelo fiscal da Shopee

Desde 1º de agosto de 2026, entrou em vigor o novo modelo fiscal da Comissão Extra da Shopee.

A mudança determina que o afiliado PJ emita a nota fiscal correspondente à Comissão Extra diretamente para cada vendedor que realizou o pagamento.

A comissão padrão continua sendo tratada separadamente: o afiliado emite a nota correspondente às comissões pagas pela própria Shopee e a envia pela plataforma dentro do procedimento habitual. Já os valores pagos pelos vendedores precisam ser documentados individualmente.

A Shopee esclarece que não é necessário emitir uma nota para cada venda ou pedido. O afiliado deve emitir uma nota por vendedor, utilizando o valor consolidado informado no relatório mensal.

É justamente essa quantidade de vendedores que está criando dificuldades para muitos profissionais.

Quando o vendedor está no exterior

O problema se torna maior quando o vendedor responsável pela Comissão Extra é estrangeiro.

Uma empresa localizada fora do Brasil não possui CNPJ brasileiro. Com isso, os sistemas utilizados pelos afiliados para emissão das NFS-e precisam estar preparados para trabalhar com dados de identificação fiscal e endereço de tomadores localizados no exterior.

O próprio sistema nacional da NFS-e prevê tratamento específico para tomadores estrangeiros. O Portal da NFS-e informa, por exemplo, que a identificação do CNPJ do tomador é obrigatória para pessoa jurídica, exceto quando se trata de tomador do exterior.

Na prática, porém, isso não significa que todos os sistemas municipais e plataformas de emissão estejam igualmente preparados para realizar o procedimento de forma simples.

E foi justamente aí que muitos afiliados encontraram uma barreira.

Sistemas ainda estão se adaptando

Ferramentas utilizadas pelos afiliados para emissão em massa precisaram adaptar seus sistemas para atender os vendedores estrangeiros.

Algumas plataformas já passaram a trabalhar com informações como identificação fiscal estrangeira, endereço internacional e outros dados necessários para montar a NFS-e. Outras ainda estão implementando melhorias para que o processo seja realizado de maneira automatizada.

O problema é que muitos afiliados começaram a emitir as notas logo no início da mudança, em agosto, quando essas ferramentas ainda estavam passando por adaptações.

Quem já possuía dezenas de vendedores estrangeiros no relatório acabou ficando diante de uma situação complicada: as notas precisavam ser emitidas, mas o sistema utilizado nem sempre conseguia processar aqueles vendedores automaticamente.

Mais de 100 notas para um único afiliado

Imagine um afiliado que tenha recebido Comissão Extra de 150 vendedores durante o mês.

Pelas orientações da Shopee, ele deverá emitir uma nota para cada vendedor.

Agora imagine que parte desses vendedores seja estrangeira e que o sistema de emissão não consiga processá-los.

O afiliado pode acabar tendo que resolver esses documentos individualmente.

Para um grande afiliado, que possui contador, sistema de gestão e estrutura administrativa, isso já representa trabalho adicional.

Para um afiliado pequeno, que muitas vezes possui uma contabilidade enxuta e poucos recursos para investir em ferramentas, a situação pode ser ainda mais complicada.

Não estamos falando necessariamente de notas com valores altos.

Um vendedor pode ter gerado uma Comissão Extra de R$ 20, outro de R$ 50 e outro de R$ 100.

O problema é a quantidade de documentos.

Emitir uma nota é simples. Emitir 100 notas manualmente é outra história.

O trabalho manual ficou inviável para muitos profissionais

O novo modelo foi pensado pela Shopee com a possibilidade de utilização de sistemas de emissão em massa.

A própria plataforma recomenda que os afiliados utilizem emissores capazes de processar o relatório mensal, citando a Conta Azul como exemplo.

Isso resolve boa parte do problema quando o sistema consegue identificar corretamente todos os vendedores.

Mas os casos de vendedores estrangeiros criam exceções.

Quando uma nota não pode ser gerada automaticamente, o afiliado precisa procurar uma alternativa, cadastrar informações manualmente ou aguardar uma atualização do sistema.

Para quem possui dezenas de documentos pendentes, isso rapidamente deixa de ser uma pequena dificuldade e passa a consumir horas de trabalho.

Empresas de emissão estão correndo para corrigir o problema

A nova obrigação também criou uma demanda para as empresas que oferecem serviços de emissão fiscal para afiliados.

Plataformas como Conta Azul, MandaNotas, Notah e outras soluções estão trabalhando com a emissão em massa das notas da Comissão Extra.

Com a chegada dos vendedores estrangeiros, essas ferramentas também passaram a precisar tratar informações internacionais.

Alguns serviços já oferecem recursos específicos para esse cenário. Há sistemas que trabalham com identificação fiscal estrangeira e dados de empresas localizadas fora do Brasil, permitindo que o afiliado processe esses vendedores junto com os demais documentos.

Isso mostra que a própria indústria de ferramentas ainda está se ajustando à nova realidade criada pela Shopee.

E quem já emitiu as notas em agosto?

Esse é outro ponto que merece atenção.

Muitos afiliados começaram a emitir as notas assim que o novo modelo entrou em funcionamento. Como as ferramentas estavam sendo adaptadas ao mesmo tempo, alguns profissionais acabaram emitindo parte dos documentos de forma manual ou utilizando procedimentos diferentes para vendedores nacionais e estrangeiros.

Agora, com os sistemas recebendo atualizações, alguns afiliados podem precisar revisar como os documentos que já foram emitidos foram tratados.

É importante, entretanto, não cancelar ou substituir uma NFS-e simplesmente por causa da atualização de um sistema.

Qualquer correção deve ser feita de acordo com as regras do município responsável pela NFS-e e com orientação do contador da empresa.

Atenção à competência da nota fiscal

A questão da competência também merece cuidado.

Durante a adaptação ao novo modelo, surgiram diferentes interpretações entre afiliados sobre qual mês deveria constar na NFS-e, principalmente porque a comissão pode ser apurada em um período, o relatório ficar disponível posteriormente e a nota ser efetivamente emitida em outra data.

A competência não deve ser escolhida simplesmente com base na data em que o dinheiro caiu na conta ou na data em que a nota foi emitida.

Em regra, o ISS tem como fato gerador a prestação do serviço, mas a forma de reconhecimento e emissão da NFS-e depende também da natureza da operação, do município e do regime tributário da empresa. A legislação do ISS estabelece a prestação do serviço como fato gerador do imposto.

Por isso, um afiliado que emita uma nota em 21 de agosto de 2026 não deve simplesmente concluir que a competência precisa ser agosto. Da mesma forma, não deve escolher julho apenas porque a venda ou comissão aparece no relatório daquele mês.

O procedimento correto precisa ser definido de acordo com o tratamento fiscal aplicável à operação e com a orientação do contador.

Esse cuidado é especialmente importante para evitar diferenças na apuração dos impostos.

A Shopee não definiu um prazo específico para essas notas

Outro detalhe importante está na própria orientação da Shopee.

A plataforma informa que não existe um prazo definido pela Shopee para a emissão das notas destinadas aos vendedores e recomenda que o afiliado consulte seu contador para verificar as obrigações fiscais aplicáveis ao seu caso.

Isso significa que o afiliado não deve simplesmente seguir uma data divulgada em grupos ou utilizar automaticamente a data de recebimento como referência fiscal.

A definição da competência e do momento adequado para emissão deve ser feita com base nas regras aplicáveis à empresa.

Alguns afiliados discutem uma solução alternativa

Diante da dificuldade com os vendedores estrangeiros, alguns afiliados passaram a discutir uma alternativa: reunir os valores das Comissões Extras provenientes de vendedores estrangeiros e emitir uma única nota fiscal para esse grupo.

Essa prática, porém, não corresponde ao procedimento padrão informado pela Shopee.

A orientação oficial da plataforma para afiliados PJ é emitir uma nota fiscal para cada vendedor que realizou o pagamento da Comissão Extra.

Por isso, qualquer tentativa de consolidar valores de diferentes vendedores em uma única NFS-e deve ser analisada previamente com o contador e de acordo com as regras fiscais do município.

Não é recomendável que o afiliado simplesmente agrupe os valores por conta própria para escapar da dificuldade de emissão.

A facilidade operacional não substitui a obrigação fiscal.

O pequeno afiliado é quem mais sente o impacto

A nova regra acaba atingindo de maneiras muito diferentes os afiliados.

Um profissional que recebe Comissão Extra de dez vendedores pode conseguir organizar todo o processo com relativa facilidade.

Mas um afiliado que possui 100, 200 ou 500 vendedores no relatório enfrenta uma realidade completamente diferente.

E quando uma parcela desses vendedores está localizada no exterior, o problema aumenta.

O profissional precisa lidar com diferentes dados cadastrais, sistemas de emissão, informações fiscais e possíveis limitações das plataformas utilizadas.

Para quem possui uma estrutura pequena, isso pode significar horas de trabalho ou a necessidade de contratar uma ferramenta específica.

Uma nova despesa em uma operação que já ficou mais complexa

A mudança da Shopee também criou um mercado para ferramentas de emissão em massa.

Serviços especializados oferecem planos baseados na quantidade de notas emitidas, justamente porque alguns afiliados precisam processar centenas ou milhares de documentos.

Isso representa mais uma despesa para o afiliado.

Além dos custos com contador, ferramentas de divulgação, produção de conteúdo e outras despesas da atividade, agora existe também o custo de automatizar uma obrigação fiscal que pode envolver centenas de documentos.

Para os grandes afiliados, o investimento pode fazer sentido.

Para quem está começando, porém, pagar uma ferramenta apenas para conseguir emitir dezenas de notas de pequenos valores pode pesar bastante no orçamento.

O novo modelo ainda está em fase de adaptação

O que está acontecendo com os vendedores estrangeiros mostra que o novo modelo fiscal da Comissão Extra ainda está passando por uma fase de adaptação.

A Shopee disponibilizou o relatório e definiu o procedimento geral para os afiliados PJ. As empresas de emissão estão adaptando seus sistemas e os contadores também estão incorporando a nova rotina aos processos de seus clientes.

Mas, na prática, os primeiros meses estão revelando situações que não eram tão evidentes quando a mudança foi anunciada.

Os vendedores estrangeiros são um dos exemplos mais claros.

Para alguns afiliados, são apenas algumas notas adicionais.

Para outros, podem representar mais de uma centena de documentos que precisam ser tratados.

Uma mudança que continua aumentando a burocracia dos afiliados

O novo modelo fiscal da Comissão Extra já havia provocado uma mudança significativa na rotina dos afiliados PJ.

Agora, os problemas relacionados aos vendedores estrangeiros mostram uma segunda camada de dificuldade.

A emissão em massa funciona bem quando todos os dados estão corretamente disponíveis e o sistema consegue processar cada vendedor.

Quando aparecem vendedores estrangeiros ou outras situações fora do padrão, o afiliado pode acabar novamente no processo manual.

E é justamente isso que muitos profissionais que trabalham em grande escala estão tentando evitar.

No final, a questão não é apenas emitir uma nota fiscal.

É administrar dezenas ou centenas de vendedores, valores pequenos, dados fiscais diferentes e sistemas que ainda estão se adaptando ao novo modelo.

Para quem vive do marketing de afiliados, cada hora gasta com burocracia é uma hora a menos dedicada àquilo que realmente gera receita: encontrar produtos, produzir conteúdo e gerar vendas.

E enquanto as ferramentas continuam evoluindo para atender à nova exigência, muitos afiliados ainda estão tentando encontrar a maneira mais simples e correta de cumprir essa nova obrigação fiscal.

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